<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188</id><updated>2011-11-27T22:58:52.414-02:00</updated><title type='text'>Terra Sem Males</title><subtitle type='html'>“Subirão todos para Yvy marã ei, e dançaremos a dança da vida."
- Tupã</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-7819932623334669292</id><published>2010-01-18T21:43:00.001-02:00</published><updated>2010-01-18T21:46:20.448-02:00</updated><title type='text'>Deus Ex Machina parte 3: O aperto de mãos.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O deus-poeta embriagou-se em demasia de sonhos imorredouros e derramou sobre si o restante do conteúdo de sua taça. Todas as ameaças e aflições de seu passado começaram uma dança macabra onde os cadáveres de suas memórias sombrias copulavam com musas dementes. Aquela dramaturgia, que na sobriedade das horas parecia ser ínfima, tornara-se veneno psíquico aniquilando sensibilidades.&lt;br /&gt;O impassível Beltessazar percebeu, enfim, que uma intervenção seria necessária:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A solidão do paraíso personalizado é tão inútil quanto um inferno coletivo não é mesmo? – Uma trovejante ressonância alcançou a consciência vagueante de José Severino. &lt;br /&gt;- Quem é você? – Os olhos de Zeca abriram-se como estrelas rubras.&lt;br /&gt;- Direi apenas minha alcunha, que me é dada em tempos de turbulência: chame-me de Beltessazar. &lt;br /&gt;- Cara, que nome ridículo. Serei direto: saia desse lugar. Não me importa se é Bebel, Belte-Salazar, Ypioca ou qualquer lixo desses. Finalmente estou livre de seus conflitos ordinários e mundos artificiais. Aqui, o tempo é uma piada sem graça, o espaço, um papel higiênico e sua presença, um motivo para dar a descarga... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Todo ambiente tornou-se uma instável mescla de miríades reflexivas de cores intensas e desbotadas. O manto de nebulosas de Zeca realçou-se com a aquela configuração atmosférica e ficou evidente que ele comandava cada detalhe de espaço com seus pensamentos. O ecoar da voz de Beltessazar era o único parâmetro supostamente sem controle:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primeiro, isso não é um lugar. Segundo, vim salva-lo de uma grande ilusão. Terceiro, está indo muito bem com as zombarias.&lt;br /&gt;- Obrigado Bebel, posso caprichar ainda mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zeca e seu desdém navalhado se apresentavam numa postura ofensiva mas, por algum motivo ainda obscuro, o visitante daqueles mundos internos era um muro de confiança e iniciou seu discurso:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por hora, vou dispensar seu talento fluídico com as palavras e com os símbolos de poder. Ouça-me com atenção e prometo que no fim, será você a fazer a escolha. Diga-me porque alguém que alcançou verdadeiramente sua visão maior, voltaria a fechar seus olhos?&lt;br /&gt;- Eu sou aquele que decide que tipo de visão eu tenho...&lt;br /&gt;- É verdade, mas não seja infantil: eu já entendi que você é o senhor de si mesmo e blá blá blá. Já entendi você acredita que o universo é um liquidificador de distopias sobrepostas e blá blá blá. Entendi que você se tornou o Deus de seu próprio vazio existencial. Mas cara, de que importou essa apoteose feita-em-casa para todo resto?&lt;br /&gt;Abaixe suas armas: é hora de sair de si mesmo. De permitir que toda energia descoberta em si percorra os caminhos secretos dos ajuntamentos e repartições da Criação. Cada folha, gota e raio de luz há de sussurrar sua presença. Não são as palavras ou sua linguagem, os gestos ou sua potência que farão isso... Será apenas coragem. Coragem de tornar-se frágil mais uma vez. Uma coragem além dos mais divinos seres que você achou conhecer. Apesar de vencer o desconforto abissal, você ainda está em sua autarquia cósmica, como tinha dito há um tempo atrás.&lt;br /&gt;-Você ouviu minhas palavras? – Zeca indaga perplexo.&lt;br /&gt;-É claro que ouvi. Já deveria ter entendido que tem sempre alguém ouvindo. Às vezes não gostamos de quem escuta e é esse o desafio: dar valor às oportunidades mesmo quando elas se parecem mais com obstáculos do que com bênçãos. Infelizmente você está apenas comungando com seus devaneios de grandeza. Uma deliciosa prática de fato, contudo totalmente estéril. Respeito sua potência de expressão e é por isso que vim até aqui. Foi por isso que o percebi. Mas existe um mundo não esqueceu de você, embora seu triunfo sobre os limites da realidade daqueles cenários externos seja memorável. &lt;br /&gt;- Porque insiste que eu volte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Na enevoada confusão de cores, Beltessazar revela seu semblante a Zeca e aponta para o alto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelos Outros. Pelo seu amigo que dirige caminhões e que agora está preso. Por sua prima que acabou de ser contratada para dançar numa boate na Praça Mauá e vai precisar de você, e pelo outro Eu que você precisa descobrir através do Equilíbrio.&lt;br /&gt;- E o que você ganha com isso? &lt;br /&gt;- Ganho um amigo poderoso e um gênio autêntico, se tudo que eu estiver dizendo se confirmar...&lt;br /&gt;- Qual é seu verdadeiro nome?&lt;br /&gt;- Ou você é um autocrata sem nobreza ou ainda não entendeu que os nomes podem ser esquecidos. Aqui não há necessidade disso. Na roda dos mundos, é imperativo revelar-se apenas no momento mais adequado. Sou apenas um reflexo aos seus olhos e um sussurro familiar aos seus ouvidos e por hora, isso é suficiente. Venha, temos que comemorar porque parece que você venceu a história que foi frivolamente escrita para sua vida. &lt;br /&gt;- Lembre-se que se você for apenas uma ilusão vou destruí-lo completamente.&lt;br /&gt;- Lembre-se que se eu for apenas uma ilusão vou te destruir completamente. &lt;br /&gt;- Se o que está me dizendo é verdade, há muito que fazer. &lt;br /&gt;- Sim senhor Zombeteiro, há muito que fazer, por aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O estranho estendeu o braço, e apesar do porre metafísico, Zeca simbolicamente apertou sua mão. De volta ao quarto não havia mais nada lá além de poeira e mobília revirada. Todas as lembranças do menino de 16 anos agora pertencem a alguém de 25 anos com uma nova aparência. Após nove giros da ampulheta, a recriação terminou. Zeca não sabia nada sobre o que seria daquele ponto em diante, mas decidiu prosseguir. Seu novo amigo começou as explicações...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-7819932623334669292?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/7819932623334669292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=7819932623334669292' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/7819932623334669292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/7819932623334669292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2010/01/deus-ex-machina-parte-3-o-aperto-de_5602.html' title='Deus Ex Machina parte 3: O aperto de mãos.'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-6417552069328262344</id><published>2009-08-26T18:05:00.000-03:00</published><updated>2009-08-26T18:06:23.664-03:00</updated><title type='text'>Deus Ex Machina parte 2: A recreação dos nomes</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Foi no palco entre mundos que ele apagou as Luzes; seus olhos eram supernovas. Um pássaro noturno que observava o comportamento da imensidão: se piscasse uma vez, era capaz de criar eclipses de matizes nunca vistos por nenhum ser consciente; se selasse as pálpebras, contemplaria a si como Essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao caminhar pelo Éden das experimentações reconheceu sua nudez e envolveu-se em um manto de nebulosas. Assim, tornou-se um vórtice de quaisquer autoridades humanas ou divinas: um devorador febril do conformismo metafísico. Uma singularidade personificada a banhar-se em preciosidades oníricas e deleitar-se com enigmas moleculares: aqueles jogos raros cujas regras estavam sempre a mudar, fascinando quem estivesse disposto a fazer parte deles por instantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu a fertilidade em si: a expulsão da semente, a queda e uma nova existência a germinar em busca de um céu virginal. Ainda que, nunca tocasse o Âmago, tinha a face da consciência voltada para o alto.&lt;br /&gt;Desenhou seu próprio semelhante de várias formas e elas dialogavam com uma linguagem secreta. Os nomes brincavam... As plurissignificâncias do fluir criativo, ali – naquele fragmento do relicário original – nasciam, amavam-se e destruíam-se. O húmus cósmico renovava-se através daquelas primazias.&lt;br /&gt;Viu-se num jardim estelar e notou que o mundo dos homens era uma sumaúma flutuante com raízes intermináveis e galhos que desapareciam em ascensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, havia ainda, mais além de si, uma floresta imensa, com outras espécies em número semelhante ao das galáxias. Seus formatos podiam ser intuídos e surpreendiam em naturezas vivas, mortas e etéreas. Aquela exuberância era tão substancial à percepção que pulsava como um grande coração. &lt;br /&gt;Do vazio ao efêmero, um ciclo permutava medidas e consensos.&lt;br /&gt;Zeca sabia: aquilo era sagrado. E durante nove giros da ampulheta, entre o silêncio poético e o que está além da voz, recriou-se.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-6417552069328262344?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/6417552069328262344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=6417552069328262344' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/6417552069328262344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/6417552069328262344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2009/08/deus-ex-machina-parte-2-recreacao-dos.html' title='Deus Ex Machina parte 2: A recreação dos nomes'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-2875292053165912668</id><published>2009-07-07T14:26:00.003-03:00</published><updated>2010-01-18T20:07:30.302-02:00</updated><title type='text'>Deus Ex Machina parte 1: A Essência deixa de Existir.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Apesar de não ser capaz de ouvir sua própria voz, Zeca notou uma vibração daquilo que achava ser sua vontade em funcionamento e percebeu que ainda era capaz de se expressar: de ser a persona, o arquétipo, a sizígia e a sombra, atuando e sendo o expectador daquele teatro de oscilações para si mesmo. Não se pode afirmar se eram palavras, pensamentos ou imagens que se seguiram nesse episódio e, se ele havia ocorrido em algum lugar que não fosse a psique do menino perdido, assim, ele falou, como um condenado:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, a arrogância sempre fez de mim um evoluto auto-enganadiço. Aquele do tipo indefinível em termos sociais. Uma piada ambulante para cada babaca que me julgava com seus padrões limitados.&lt;br /&gt;Mas foi sozinho, senhoras e senhores escondidos por aí, na tocaia idílica de meus dias, que percebi qual era meu próximo passo. Com uma pequena memória, que elevei a inequação de insatisfação e incompletude de meu próprio universo a outro nível imaginário. &lt;br /&gt;Concluí que foi abandonando a Unidade que passei a Existir e, por perseguir as sombras do primeiro amanhecer das idades, que manifestei meu inferno branco: essa artimanha em que estou me divertindo nesse momento. A excelência dessa arte é deleitosa, especialmente, aos mártires contraditos: pura jouissance escorrendo das abóbadas celestiais, diretamente para a boca e as feridas dos seres orgulhosos.&lt;br /&gt;Deixe-me descrever como funciona essa preciosa engenhosidade, que um dia pode ser toda vossa: imagine, dentro de si, espelhos reciclando movimentos, espectros e luzes embriagadas. Pense nos paradoxos que florescem como fractais errantes, reproduzindo-se híbridos e incoerentes. A lógica das mentes mundanas jamais não resistiria a este ardil surrealista. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;(A platéia oculta torce o nariz.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É uma perfeita imitação da técnica elementar do velho-novo ilimitado, – aquele que não podemos mais contemplar por nós mesmos – para extraviar, dos livres até os mais isolados dos seres, que insistem em perseguir seu rastro. A alvura hipnótica deste cenário pode trazer à tona recordações instigantes como açúcar e sal refinados, giz tóxico ou cocaína de boa qualidade. Enfim, qualquer um desses pode destruí-lo, mas, não com tanto estilo quanto minha opus aniquiladora. Agora, estou dentro dela e ela, ao que tudo indica, está dentro de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Neste ponto, cada linha traçada por Zeca em seu discurso ganha autonomia, passa a zombar dele...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sou um dependente adolescente da arrogância: uma limitação que sempre foi minha maior força. Mas preciso exaurir essa dinamicidade disfarçada de capacidade de superação. Na verdade, existimos em autarquia cósmica. Nosso heroísmo reside em sair e dizer aos outros multiversos transeuntes: estamos todos livres, pessoal. Vocês não devem ficar esperando nenhuma ajuda externa para alcançar a liberdade. Ela é parte de vocês desde sempre. Unam-se, e essa pequena disciplina de aceitar os outros nos lembrará daquilo que sempre fomos: A Essência.&lt;br /&gt;Comecei uma revolução achando que mudaria algo além de mim mesmo... É uma merda admitir que eu estivesse errado. É uma merda admitir que no caminho da transformação a primeira coisa a se fazer é despir-se do próprio eu e desistir de ser algo para o mundo inteiro. Minha angústia residia no medo de ser subjugado por alguém e minhas reações violentas no desespero de ser vencido. Essa paranóia me trouxe até aqui. E é aqui, ela que acaba, onde não é exatamente um lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Risos e Aplausos amiúdes enlaçam-se como dia e noite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz, dizendo para eu mesmo que estou livre ao descortinar uma confortável ausência de tudo, me atinge. Não é a morte, tenho certeza. A morte já passou e levou daqui o menino José Carlos Severino Pinto. Só restou um ser livre daquela identidade fadada à destruição. Já foi tarde, pesadelo vestido de Deus. Melhor aparecer uma ameaça Original a partir de agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Com um eclipse de consciências, o ator atinge a catarse ao apagar as luzes do palco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhoras e senhores, quando eu sair daqui, acredito piamente que algum de vocês vai publicar toda essa saga para mim. É hora de começar a editar essa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-2875292053165912668?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/2875292053165912668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=2875292053165912668' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2875292053165912668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2875292053165912668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2009/07/deus-ex-machina-parte-1-essencia-deixa.html' title='Deus Ex Machina parte 1: A Essência deixa de Existir.'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-1462140786795673720</id><published>2009-04-07T12:47:00.001-03:00</published><updated>2009-04-07T12:49:44.869-03:00</updated><title type='text'>Abismo</title><content type='html'>Zeca não era mais capaz de ignorar seus pensamentos. Era uma questão crucial de sobrevivência, ditada por sua ávida mente que absorvia qualquer modelo, símbolo ou padrão de maneira contumaz. Contudo, seu corpo respondia toscamente a esse processo, negando-lhe, às vezes até os movimentos físicos mais simples e a respiração. Aquela letargia catatônica não fazia nenhum sentido lógico ou ainda, qualquer sentido biológico também. Mas as idéias proliferavam como pragas bíblicas sobre as sinapses adolescentes de Zeca. Dissolviam-se e multiplicavam-se, efervescentes, como sais de fruta, nas turvas águas daquela debilitada consciência oceânica, drasticamente fora de controle, degenerando a ordem básica da normalidade psíquica. &lt;br /&gt;Era difícil sentir e extremamente fácil pensar. Gradualmente a velha onisciência sussurrava-lhe arquétipos desdenhosos, enquanto cochichava com outros que pareciam ali estar, ocultos, como mórbidos expectadores. Contudo, para um moleque de 16 anos esse tipo de conversa soa como uma dissonante arte notória, recitada por um demônio fajuto.&lt;br /&gt;O desconforto sufocante do primeiro momento de supressão sensorial estava diminuindo, mas a questão de quanto tempo ele ficaria daquela forma, era apenas um dos incontáveis pensamentos vagos e furtivos. O espaço estava visivelmente translúcido e distorcido, todavia sua preocupação era paradoxal: indo e vindo, lépida.&lt;br /&gt;Começara a se importar menos. Suas idéias não eram mais dele. Sua cabeça não era mais um recipiente para o cérebro, e não era mais o veículo dos fluxos mentais. O seu eu-pensante estava se dissipando paulatinamente, como quem ingere calmantes de tarja preta para dormir. Entorpecido como um transeunte da avenida Brasil, não conhecia mais nenhuma verbalização qualquer naquele ponto: nem adjetivos, nem substantivos, nem significâncias recém-nascidas. O mundo, as cidades, as pessoas e os objetos flutuavam dentro de bolhas de consciência fragmentada. As camadas mais sutis do universo estavam evidentes e bailavam em elipses caóticas de rotação incompleta.&lt;br /&gt;À sua volta, o quarto rodopiou como um carrossel solto do eixo, e transformou-se em poeira, para enfim, desaparecer dando lugar ao nada. De repente, tudo e todos se consumiram em soturna furtividade, e alguém apagou a singela luz que ainda permanecia nesse vazio e o grito saiu da alma:&lt;br /&gt;-Nãooooooo!&lt;br /&gt;Porém, aquele majestoso advérbio de negação soou minguante... Nenhuma  resposta, a não ser a escuridão silente e um eco distante da tentativa inútil de preencher a vacuidade. Assim, pensamento e linguagem vagaram inertes por nove anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-1462140786795673720?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/1462140786795673720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=1462140786795673720' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/1462140786795673720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/1462140786795673720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2009/04/abismo.html' title='Abismo'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-3872350249937029339</id><published>2009-02-08T14:49:00.000-02:00</published><updated>2009-02-08T14:50:44.783-02:00</updated><title type='text'>O Trem (e os pensamentos que você deixou correr)</title><content type='html'>O trem usa linhas, corta espaços e costura vidas. Todavia pairam no ar, entre indagações metafísicas e curiosidades infantis, ecos livres e ocasionais solfejando duas perguntas: &lt;br /&gt;- Quem será que dirige o trem? Quem sabe o que vem? &lt;br /&gt;Eu procuro destinos que adormecem na viagem e realidades que terminam quando acordo...&lt;br /&gt;O barulho nostálgico e incômodo faz-se importante. Faz-me falar mais alto com meu melhor amigo ao lado, expressando em tons metálicos e foscos a velha teimosia em partilhar de palavras corriqueiras ou especiais. &lt;br /&gt;Agora esse rito precisa de mais um componente material para alcançar hermeticamente sua plenitude final:&lt;br /&gt;- Ecce Homo! Eu penso tão forte que quase sai um berro de dentro da cuca. Peço balas de sabores sortidos com um gesto. Sem meu oportuno fornecedor esta trilha seria bem menos aprazível. As moedas passam a diante: de minha mão para a economia informal. Elas sustentam este mundo e endossam suas traições.&lt;br /&gt;Penso no futuro e lembro que ela gosta de jujuba. Quem é ela? Se eu contar esse trem pode descarrilar... Escrever muitas vezes é o mesmo que fazer denúncias. Por falar em denúncias, tenho uma pequena ferida nova para tirar casquinha: agora pouco constatei um fato curioso sobre nossa moralidade generalizada. Estava olhando uma senhora com sua filha à minha frente. Elas eram bem pobres. Sorri para menina e ofereci uma bala. A criança espontaneamente esticou a mão e sua mãe esticou a língua:&lt;br /&gt;- Ela não quer nada! Disse bruscamente.&lt;br /&gt;Fiquei muito puto. &lt;br /&gt;Demorou... mas entendi: temos mais vergonha de um sorriso que de uma mentira. Menos vergonhas que sorrisos. Mais mentiras que vergonhas.&lt;br /&gt;O trem chega à estação e estou são e salvo das verdades que expus aqui. Fecho meu caderno abrindo a percepção às linhas que prestei mais ou menos atenção, aos espaços que percorri enquanto estava parado e às vidas que estão costuradas à minha própria...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-3872350249937029339?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/3872350249937029339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=3872350249937029339' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/3872350249937029339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/3872350249937029339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2009/02/o-trem-e-os-pensamentos-que-voce-deixou.html' title='O Trem (e os pensamentos que você deixou correr)'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-2460232466253213616</id><published>2008-11-04T14:14:00.001-02:00</published><updated>2008-11-04T14:14:53.329-02:00</updated><title type='text'>Sonhos e Zombarias</title><content type='html'>Cicatrizes da Cidade (sonhos de uma turba moribunda. E por falar em bunda...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É madrugada. São quatro e quinze precisamente, e nos limiares subconscientes de seus sonhos, Zeca aventura-se entre brumas umbrais de memórias de todo mundo até que uma personagem surreal interrompe a continuidade de sua busca consurgindo com as próprias sombras oníricas.&lt;br /&gt;Quimérica e familiar ela se apresenta:Eu sou um de teus reflexos. Meu nome é Dia-a-Dia...&lt;br /&gt;Ouvem-se outras vozes ao fundo e de repente todo cenário configura-se em uma esquina da Avenida Rio Branco na hora de maior movimento... &lt;br /&gt;Zeca alterna seus sentidos ora como alguém incorpóreo ora como alguém plenamente capaz de sofrer com o calor da rua. É como um doloroso processo de transmigração acontecesse dentro de um acelerador de partículas...&lt;br /&gt; À sua frente, aquele que antes era quimérico, agora parece seu irmão gêmeo de carne e ossos.Assim, ele começa a falar profusamente em seguida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocante! Penetrante! Delirante!&lt;br /&gt;O concreto e a fumaça em farelos de evolução e suspiros de abandono. Mentes cinzas e conceitos terceirizados com valores em conta. A propósito, já fez suas contas de fim de mês senhor zombeteiro? Repare seu conta-gotas de otimismo e compare com as gotas de sangue engordurado e venoso que passeiam pelas ruas como meninas de dezessete anos. Que divertida monotonia ouvi-las cantando em uníssono o réquiem da ética com as fábricas e empresas dando oportunidades para tornar esse cenário sinfônico mais abnóxio. &lt;br /&gt;As engrenagens não se calam enquanto a multidão dorme. Máquinas e sacos de carne e espírito amontoados com etiquetas escritas “consumo irresponsável de migalhas do conveniente amanhã que não vem”. Que promessa curta é o Amanhã não é mesmo? Conhecemos bem a distorção dessa promessa não cumprida. Eu faço questão de invocá-la através da leitura dos breviários necromantes dessa ocasião. Esse grito abafado dos paradoxos esquecidos transborda como bolhas de catarro de um bueiro entupido enquanto você sonha com seu fim de semana praieiro na região dos lagos.&lt;br /&gt;Quero lembrá-lo que o creme de vasenila de gentileza sintética usado para tratar de seus paradigmas está se acabando. O múltiplo colapso dá passos largos em todas as direções com disforme semblante que ignora sua ignorância. Sabemos que pesadelos não precisam de um rosto definido e ao encontrá-los você irá tossir o ar pobre do consenso para fora de seus cancerosos pulmões. Provavelmente para acompanhar essa seqüência, suas veias saltarão com espirros alérgicos à verdade dita.&lt;br /&gt;Mens sana in corpore sano... Só na televisão global você sabe... Sabe não... Mas assiste não é mesmo? Na verdade tem muita infecção debaixo dessas feridas. Cicatrizes da cidade e sonhos de uma turba moribunda confabulando seus desperdícios ideológicos. A mesma turba que tem aulas de história falida e forjada. A mesma tuba repetida que carrega você no colo com carinhos paliativos todos os dias, para fazê-lo esquecer suas próprias aspirações de bem estar e dopar sua abnegação latente de boa coletividade.&lt;br /&gt;Você conhece bem o coquetel: seringas de morfina moral, viagras de sociabilidade e um arrojado folclore moderno de zumbis para ludibriar seu conceito de liberdade individual.&lt;br /&gt;Estamos mesmo em maus lençóis e ainda, quando acordados, a mais sincera realidade consensual parece estar mentindo através de sussurros de uma verdade multifacetada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeca abre os olhos com um zumbido nos tímpanos e uma terrível sensação de realidade pálida, como uma sacanagem de Hipnos e Thanatos trabalhando juntos. Ele não saberia dizer se está acordado. Seu suor escorre pela testa enquanto lembra-se com detalhes da sua última aula de história. Ainda são quatro e quinze e certamente seria melhor ficar na cama por mais um tempo mas, é impossível continuar sonhando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-2460232466253213616?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/2460232466253213616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=2460232466253213616' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2460232466253213616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2460232466253213616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2008/11/sonhos-e-zombarias.html' title='Sonhos e Zombarias'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-2194711126025588460</id><published>2008-11-04T14:10:00.000-02:00</published><updated>2008-11-04T14:11:32.642-02:00</updated><title type='text'>Aulas e Zombarias parte 2</title><content type='html'>Aulas e Zombarias parte 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turma começou a gargalhar histericamente. Todos já estavam rindo e cochichando baixo no começo da leitura do aluno novo José Carlos Severino Pinto.&lt;br /&gt;Zeca era o tipo esquisitão da turma: paraibano, baixo, feio, inteligente e calado. O tipo de pessoa que você ignora ou não prestaria atenção, por ele não estar tentando compra-lhe com discursos consumistas ou materialismo disfarçado com peles de romance. Era um portador de mensagens corrosivas, ávido para atacar e começar sua jyhad contra a falsidade social, mas na maioria do tempo era um transgressor silente do estático complexo de bem-estar. Através de suas notas pessoais cheias de rabiscos e caricaturas de todos que odiava, seria possível obter um contundente dossiê de denuncia e revolta. Naquele episódio surpreendera todos na sala quando esqueceu o nome do medo para ler seus posicionamentos cheios de sotaque sobre a história de seu país em tom sério e sem cortes.&lt;br /&gt;Seu lar desfeito e pobre tinha criado silêncio ermo no seu âmago, mas, o efeito colateral era evidente naquele momento: todo tempo livre que tinha, esteve lendo, escrevendo, assimilando e correlacionando coisas aleatórias na caxola. Como lia de tudo, prometeu que escreveria de tudo também o mais rápido possível. Falaria de rapadura com mofo e do Raio de Schwarzschild num mesmo discurso.&lt;br /&gt;Quando fugiu para o Rio de Janeiro, numa madrugada qualquer dentro das cargas de um caminhão, quase foi violentamente censurado pelo dono do veículo quando descoberto. Por fim sua inteligência e lábia conquistaram o caminhoneiro solitário. &lt;br /&gt;Ele tornou-se seu ajudante e depois de um acordo escuso uma diretoria de escola pública conseguiu uma matrícula falsa num brisolão e num novo endereço. Havia uma estranha harmonia simples entre os dois. Ele cuidava da casa e se virava com uma grana enquanto o seu novo amigo ia ser explorado pelas empresas pagam frete pelo Brasil e nas férias viajavam juntos.&lt;br /&gt;Como uma estátua de expressão neutra e distante lá estava ele. O professor de história que havia feito o pedido para aquele texto estava mudo e absorto, tentando, até então sem nenhum êxito, conceber aquela cena atípica numa sala de aula. Quando fez um sinal para o menino se sentar, ouviu, após o consentimento do rapaz, mais algumas palavras de indagação agora, em decibéis de grito adolescente, no meio do percurso:&lt;br /&gt;-Ei, eu quero uma resposta. De qualquer um de vocês... Como fica ESSA PORRA que eu joguei na cara de vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente além de toda a turma e do professor, alguém da coordenação ouviu a mesma pergunta e não gostou muito do silêncio posterior. O tumulto foi resolvido com uma suspensão do aluno José Carlos. Seu responsável seria, em vão, notificado e muito daquele ocorrido seria esquecido com exceção, é claro, do nome do aluno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-2194711126025588460?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/2194711126025588460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=2194711126025588460' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2194711126025588460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/2194711126025588460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2008/11/aulas-e-zombarias-parte-2.html' title='Aulas e Zombarias parte 2'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-347813364639407188.post-1804108922163934794</id><published>2008-05-26T10:57:00.003-03:00</published><updated>2008-05-26T11:06:00.817-03:00</updated><title type='text'>Aulas e Zombarias</title><content type='html'>Aulas e Zombarias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio de Janeiro, 07 de Novembro de 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A historia é escrita pelos vencedores. Engraçado porque parece que a maioria escreve muito mal e com uma elegância suína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão inicial para qualquer sujeito de bom senso é que o dicionário dessas virtuosas pessoas parece composto apenas de neologismos covardes, expressões sazonais de pouca significação e adjetivos tão artificiais quanto seios de atrizes pornôs norte-americanas. O conhecimento genuíno é praticamente descartado nas observações pouco preocupadas em contar fatos. Escalas assustadoras aparecem com erros de coesão e coerência que se contorcem como strippers com muita cocaína no que resta de suas massas cinzentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aceitação desses discursos oficiais não seria possível ou plausível, sem a nossa famosa barriga de chopp da ignorância empurrando a mesa das escolhas. Ou o prazeroso cigarro mentolado do conformismo nos beiços fedorentos da galerinha pseudo-livre. Já é rotina vendar os olhos para problemas sérios e inumanos que esse vocabulário campeão de asneiras desmedidas gera para os descendentes dos derrotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vencedores já ficam com as glórias, os títulos e posses que acabam por ludibriar muitos espíritos nobres. Ora que, depois da carnificina, do esculacho, das trocas carinhosas de favor e das políticas bélicas ainda insistem orgulhosamente em registrar suas peripécias? Quanta arrogância cabe nessa caixa de vidro que alguns chamariam de ego? E o que não cabe, vai para onde? Tudo isso é para dar às turbas moribundas (ou que sobrou delas) uma cartilha de obediência? Ficaríamos chateados demais se de repente o mero esboço das tramóias e falácias que preenchem a história caísse em nossas mãos?&lt;br /&gt;Como seria a degustação desse milk-shake de bosta?&lt;br /&gt;Para onde foi tudo que VOCÊ já ENGOLIU desde seu nascimento?&lt;br /&gt;Como fica com ESSA PORRA TODA espalhada no chão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cordialmente,&lt;br /&gt;Zeca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/347813364639407188-1804108922163934794?l=yvymaraei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://yvymaraei.blogspot.com/feeds/1804108922163934794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=347813364639407188&amp;postID=1804108922163934794' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/1804108922163934794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/347813364639407188/posts/default/1804108922163934794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://yvymaraei.blogspot.com/2008/05/aulas-e-zombarias.html' title='Aulas e Zombarias'/><author><name>D. X. Bettecher</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03532656060272283272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_q4lY41p-uAA/SeqAY-Q2BnI/AAAAAAAAAEg/r0xiTKjpqDI/S220/Z17ykj03.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
